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novembro 12, 2008

O Pai Natal




Há muitos anos, o Inverno era motivo de preocupação para todos os povos, uma vez que trazia consigo tristeza e muitas privações. Como tal, as pessoas apelavam aos deuses para que o tornasse menos rigoroso.
Este apelo, entre os nórdicos era representado por alguém que eles vestiam com trajes simbolizando o Inverno. Esta tradição foi seguida pelos ingleses que chamavam a esta figura de "Velho Inverno" ou " Velho Pai Natal". Davam-lhe comida e bebida para que ficasse alegre. Esta figura andava de casa em casa, visitando as pessoas e participando nas festas, mas não distribuía presentes, nem ajudava os mais desprotegidos.
Mais tarde o Pai Natal foi associado à figura do bispo S. Nicolau, confundindo-se indevidamente com ele.





O SONHO DO PAI NATAL







O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E não queria acordar porque neste ano os Humanos encheram-se de boa vontade e fizeram um acordo de Paz, que silenciou todas as armas. Em todos os cantos do planeta, mesmo nos lugares mais recônditos da Terra, as armas calaram-se para sempre e os carros de combate e outras máquinas de guerra foram entregues às crianças para neles pintarem flores brancas de paz.
O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E não queria acordar porque nesse sonho não havia fome: em todas as casas havia comida, havia até algumas guloseimas para dar aos mais pequenos. Mesmo as crianças de países outrora pobres tinham agora os olhos brilhantes, brilhantes de felicidade. Todas as crianças tinham acabado de tomar um esplêndido pequeno-almoço e preparavam-se para ir para a escola, onde todos aprendiam a difícil tarefa de crescer e ser Homem ou Mulher.
O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E no seu sonho não havia barracas, com água a escorrer pelas paredes e ratos pelo chão, nem gente sem tecto, a dormir ao relento. No sonho do Pai Natal, todos tinham uma casa, um aconchego, para se protegerem do frio e da noite.
O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E no seu sonho não havia instituições para acolher crianças maltratadas e abandonadas pelos pais nem pequeninos e pequeninas à espera de um carinho, de um beijo... de AMOR. Todas as crianças tinham uma família: uma mãe ou um pai ou ambos os pais, todas as crianças tinham um colo à sua espera.
O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E no seu sonho não havia palavrões e outras palavras feias, não havia empurrões, má educação e desentendimentos. Toda a gente se cumprimentava com um sorriso nos lábios. Nas estradas, os automobilistas não circulavam com excesso de velocidade, cumpriam as regras de trânsito e não barafustavam uns com os outros.
O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E no seu sonho não havia animais abandonados pelos seus donos, deixados ao frio, à fome e à chuva, nem animais espetados e mortos nas arenas, com pessoas a aplaudir.
Mas, afinal, quando despertou verdadeiramente, o Pai Natal viu que tudo não tinha passado de um sonho; que pouco do que sonhara acontecia de verdade. Ficou triste, muito triste, e pensou:
« - Afinal, ainda é preciso que, pelo menos uma vez por ano, se celebre o Natal!».
E, nessa noite, o Pai Natal começou os preparativos para dar, mais uma vez, um pouco de alegria a todas as crianças do Mundo.

Retirado de "Diário de Aveiro", de 2000/12/07
Adaptado por Vaz Nunes - Ovar


Um conto de Natal



O dinheiro não traz felicidade




Era uma vez um homem que vivia do comércio. O homem andava de um lado para o outro a vender os seus produtos.
Naquele dia, ele não vendeu nada e voltou para casa. No caminho de volta, ele olhou para o horizonte e viu uma estrela muito brilhante e grande. chegou a casa e sentiu uma irresistível vontade de seguir a estrela. Despediu-se da família e começou a sua caminhada atras da estrela. Levava pão, agua, vinho, uns bolos e dinheiro para o que fosse preciso.
No caminho que seguiu, passou por uma cidade e lá comprou um jumento para carregar as suas coisas. Estava muito cansado. Passado um pouco, viu um homem rico à sua frente que lhe perguntou:
- Já te vi aqui. Não és comerciante?
- Sou. - respondeu o homem que seguia a estrela. - Mas agora não tenho nada para vender.
- Não tens ao menos um pão? A minha criada hoje faltou e não temos pão em casa.
- Tenho aqui um pouco. - disse o comerciante. - Serve?
- Serve, sim. Toma lá esta bolsa. - disse o homem rico, atirando uma bolsa para a beira do comerciante. - Obrigado.
- Obrigado, eu. - retorquiu o comerciante.
O homem rico lá foi para casa e o comerciante abriu a bolsa e viu que estava cheia de dinheiro. Mas, no deserto, o comerciante foi assaltado e só ficou com o jumento e alguns víveres.
Passados alguns dias, chegou a Belém. Continuou a seguir a estrela e viu uma gruta com um menino numa manjedoura e cinco pessoas: os três Reis Magos, Nossa Senhora e S. José.
Os Reis tinham chegado havia pouco tempo e o comerciante, como não tinha mais nada para oferecer, deu o jumento e pareceu-lhe que o Menino sorriu.
Quando os Reis Magos ofereceram oiro, mirra e incenso, já não lhe pareceu ver o Menino a sorrir. E então chegou a uma conclusão:
O dinheiro não traz felicidade.